120 anos de história: mulheres constroem o presente e futuro do Colégio Diocesano
Ao completar 120 anos de história, o Colégio Diocesano São Francisco de Sales (CSFS) celebra uma trajetória marcada pela formação de gerações de estudantes e pela presença de educadores que contribuíram para consolidar sua missão educativa. A data ganha ainda mais significado neste período em que também se recorda o Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (08). Ao longo dessas décadas, mulheres ocuparam diferentes espaços dentro da escola ajudando a sustentar relações, projetos pedagógicos e iniciativas que marcam a vida escolar.
Essa presença atravessa diferentes gerações. Mulheres que dedicaram décadas ao colégio, profissionais que hoje atuam na condução da vida escolar e alunas que seguem construindo suas próprias trajetórias fazem parte de uma história que se renova continuamente.
Entre experiências acumuladas e novos caminhos, o cotidiano do Diocesano revela como essas contribuições ajudam a manter viva a missão educativa e a preparar o colégio para os próximos anos.
A coordenadora de Convivência, Cuidado e Relacionamento do colégio, Lorenna Munise Santos do Nascimento, observa que o modo como as relações são construídas dentro da escola também passa pela experiência de ser mulher em um espaço educativo. Segundo ela, esse olhar aparece na forma de cuidar das pessoas, na escuta e na responsabilidade com as decisões que impactam a vida escolar.
“Eu acredito que o ser mulher atravessa todas as nossas vivências e isso tem consequências positivas e negativas. No que diz respeito ao cuidado com as relações no contexto escolar, penso que, para além do esperado de qualquer adulto em posição de educador — que se refere à empatia, à sensibilidade atenta às pessoas e ao acolhimento — destaco a influência da força e da firmeza de ser uma mulher negra ocupando um lugar de liderança no colégio”, traz a tona.
Segundo ela, sua trajetória foi profundamente influenciada por mulheres que lhe ensinaram valores como compromisso, ética e cuidado com o outro.
No ambiente escolar, educadoras marcaram sua formação pela forma firme e sensível com que enfrentavam os desafios do cotidiano, enquanto, em sua vida pessoal, referências familiares, professoras e profissionais também contribuíram para essa construção. Ela menciona ainda a inspiração em escritoras como Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Barbara Karine: essas influências se refletem nas decisões que procura tomar com escuta, discernimento e senso de responsabilidade coletiva, reconhecendo que cada escolha dentro da escola impacta pessoas e trajetórias, dando continuidade ao caminho aberto por muitas mulheres na educação.
Entre as mulheres que fizeram parte dessa construção ao longo das últimas décadas, está a educadora Edinelza Maria Macau Furtado, que dedicou 29 anos de trabalho ao colégio como orientadora educacional e coordenadora de convivência. Em sua trajetória, acompanhou o crescimento de muitas gerações de estudantes, participando de projetos, atividades formativas e do cotidiano escolar que ajudaram a marcar a história da instituição.
“Olhando para trás, o que mais me emociona é ter acompanhado tantas etapas da vida dos alunos, desde a chegada ao colégio até o momento em que se despedem para seguir novos caminhos. Ver estudantes superando dificuldades e avançando não só no aprendizado cognitivo, mas também no crescimento emocional e espiritual, sempre foi muito marcante para mim. Ao longo desse tempo, vivi momentos muito significativos nas feiras, gincanas, retiros espirituais e nas formações de liderança, além de poder contribuir com ideias, projetos e diferentes formas de trabalho dentro da escola. Também aprendi muito na convivência com as famílias e com os professores, fortalecendo essa parceria essencial na formação dos alunos e desenvolvendo valores como paciência e resiliência. Hoje, ao ver o colégio celebrar 120 anos, o sentimento que fica é de profunda gratidão e de pertencimento”, destaca.
A presença feminina também se reflete entre as estudantes que hoje vivem o cotidiano escolar. Para a aluna do 3º ano do Ensino Médio, Francisca Mariana Bezerra de Sousa, o ambiente educativo contribui para formar uma visão mais atenta às pessoas e ao papel das mulheres na sociedade.
“Acredito que o olhar humano da escola me ajudou a formar uma visão mais cuidadosa para com os outros. Formar boas pessoas para uma sociedade tão hostil não é fácil, mas o diferencial é justamente dar esperança da existência de pessoas boas e com bons projetos para o mundo. As vozes femininas dentro da instituição são valorizadas e muito presentes. A grande maioria dos altos cargos são ocupados por mulheres, o que demonstra a participação delas”, comenta.
Ela finaliza que, no ambiente escolar, há debates frequentes sobre a participação da mulher na sociedade, o que contribui para fortalecer nas alunas a consciência de seus direitos e a postura de não se submeterem a situações adversas: princípio que afirma carregar como valor em sua trajetória.
Mulheres que atravessam gerações
Ao longo dos 120 anos do Colégio Diocesano, a presença feminina aparece de diferentes formas: na dedicação de educadoras que acompanharam gerações de estudantes, na atuação de profissionais que hoje conduzem projetos e relações dentro da escola e também na formação das alunas que seguem construindo novos caminhos.
Essa continuidade ajuda a compreender como a história da instituição é formada por muitas trajetórias individuais. Entre experiências acumuladas, aprendizados compartilhados e novos desafios, mulheres seguem contribuindo para que a missão educativa do colégio permaneça viva nas próximas gerações.
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