Obra de Íthalo Furtado une poesia, crônica e contos

08/04/2016 15:43:44 - Por Lisiane Mossmann

“Uma Pedra em Cada Por Enquanto” é título do primeiro livro escrito pelo parnaibano Íthalo Furtado. Ele participou de bate-papos na 13ª Feira do Livro do Colégio Diocesano e o site Diocesano fez uma entrevista para saber o que o levou a escrever, suas inspirações entre outros questionamentos. Neste ano, há previsão de lançamento de seu segundo livro “Dolores (e os remédios pra dormir)”. Suas obras tratam de assuntos típicos da nossa época e unem contos, crônicas e poesias.

Íthalo Furtado conversou com alunos do Colégio Diocesano

Diocesano - Quando você percebeu o talento para escrever?

Íthalo - Desde muito novo sempre escrevi. Mas, comecei a viver da profissão de escritor foi a partir de 2012. Foi quando entendi que era isso que eu queria fazer, que tinha que tratar isso como profissão e não apenas como um sonho. Sempre tive o anseio de ser como os meus ídolos, mas não sabia como isso seria possível. Estava sempre escrevendo para meu público imaginário, mas quis transformar em algo palpável. E a partir de 2014 isso começou a se desenhar.

Diocesano - No livro “Uma Pedra em Cada Por Enquanto” você utilizou textos de quando começou a escrever?

Íthalo – Não, esse livro é bem conceitual. É um livro da nossa geração, são dores mais contemporâneas. Coisas que a gente sempre teve, mas hoje estão mais afloradas como a ansiedade, a pressa que vivemos. Inclusive o subtítulo dele é “A paz da pausa”. Porque a gente não para mais. Então é um livro que foi escrito para a nossa geração, sobre ela, sobre como a juventude está hoje. Mas não é científico nem de autoajuda, são crônicas e poesias, é literatura.

Diocesano - Os textos deste livro só foram escritos quando você resolveu levar isso de uma forma profissional?

Íthalo – Na verdade, foi quando minhas crises ficaram mais fortes. Não teve nenhuma ligação com essa decisão. Foi minha terapia, o jeito que vi de me salvar foi colocando para fora.

Diocesano – A escrita é um escape?

Íthalo – Também. É uma libertação, um encontro com outras pessoas que também se identificam. De uma forma geral, muitas pessoas que não querem ser escritoras vão escrever só pra conseguir botar pra fora. É uma válvula de escape muito forte, mas pra mim é mais do que isso. Talvez seja um elemento de salvação, libertação. É onde você consegue se encontrar e não consegue mais voltar atrás.

Diocesano - Você teve depressão?

Íthalo – Tive e acho que muita gente teve. Talvez, não conheça alguém que não tenha tido. Ainda mais aqui em Teresina que os casos de suicídio aumentaram. Este ano tivemos três casos em dez dias. E meu segundo livro, inclusive, fala sobre isso. Nele, vou envolver literatura, música, cinema e fotografia. Vai ser o primeiro livro do país a ser lançado nesse formato. É um projeto multilinguagem onde vamos falar de delírio, depressão e ansiedade, também através de crônicas e poesias.

Diocesano - Qual a previsão de lançamento desse segundo livro?

Íthalo – O nome dele é Dolores (e os remédios pra dormir) e vai ser lançado no final de maio em Parnaíba, Teresina, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e, talvez, Curitiba.

Diocesano – O que te inspira a escrever? De onde surgem esses escritos?

Íthalo – Olha, quando perguntam o que leio pra escrever, respondo que leio pessoas. Leio meus amigos. Olho pra eles e vejo um monte de coisa. Olho pra mim e vejo um monte de coisa. Olho para as pessoas que estão perto de mim. Olho muito pra minha geração. O que eles sentem, o que gostariam de dizer e não têm voz, não sabem como falar. Eu gosto muito de me encontrar com as pessoas na hora em que escrevo, quero que elas leiam e sintam que são entendidas. E acho que a maioria dos artistas pensa assim.

Diocesano - Como foi o papel da internet na divulgação do seu trabalho?

Íthalo – Sem internet nada teria sido possível. Antes, você só conseguia algo se uma editora te visse e te desse voz. Por isso, muita gente morreu no ostracismo. Mas a minha geração tem tudo na mão, é só a gente saber utilizar e acreditar até o final que isso pode dar certo.

Diocesano - Atualmente, você vive só da sua arte?

Íthalo – Sim, eu tenho um portal de cultura chamado Parnaíba Criativa, onde eu divulgo outros artistas e esse portal tem patrocinadores. O SESC [Serviço Social do Comércio] me contrata quase todo mês para oficinas e já fechou contrato comigo até o final do ano para ser um dos curadores de literatura de lá. E vivo dos livros. Existem métodos pra viver de cultura e é isso que quero que os artistas entendam. O SESC é uma plataforma que tem que ser utilizada, a internet também.  

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