"Fui muito feliz no Diocesano", ressalta Jovina Nascimento; Confira a entrevista

23/02/2018 09:06:22 - Atualizada em 23/02/2018 12:07:12 - Por Camila Oliveira

A professora Jovina Nascimento marcou gerações de alunos e colaboradores que conviveram com ela no Colégio Diocesano. Recém-formada no curso pedagógico, começou a lecionar na escola aos 19 anos. A instituição jesuíta foi o primeiro e único lugar em que a docente trabalhou.

Como resultado da dedicação ao colégio, alcançou reconhecimento. A professora participou ativamente de momentos importantes vividos pela instituição. Um deles foi a implantação do Diocesano Infantil, local em que colaborou nos últimos 15 anos. Após 50 anos de contribuição com a obra da Companhia de Jesus no Piauí, chegou a hora da despedida. Na noite do dia 22 de fevereiro, o Colégio Diocesano realizou uma homenagem à docente que agora se aposenta.

Acompanhe abaixo uma entrevista realizada com Jovina, em que falou sobre as cinco décadas que viveu no Diocesano.

Diocesano - Em que ano a senhora entrou no Diocesano? A senhora tinha que idade?

Jovina - Em 1967. Eu tinha 19 anos.

Diocesano - A senhora entrou em que função?

Jovina - Eu concluí o curso pedagógico e minha mãe logo se preocupou em conseguir um emprego para mim. Ela sempre ia à missa na Igreja Nossa Senhora das Dores. Um dia, resolveu passar no Diocesano e falar para o diretor que tinha uma filha professora e que, se tivesse alguma oportunidade, gostaria que fosse dada a mim. Isso foi no final de dezembro. Em fevereiro, eu recebi uma correspondência do padre Ângelo Imperiali, SJ, que era o vice-diretor na época, me convocando para uma reunião. Fui contratada e comecei a dar aulas no 1º ano do Ensino Fundamental. Nessa época, quase não havia Ensino Infantil em Teresina.

Agradeço muito à Companhia de Jesus, porque sempre trabalhei com muito amor e fui muito valorizada e respeitada por isso. E me deram oportunidade, apesar de ter só o Ensino Médio e o curso pedagógico quando entrei. Mas sempre me atualizei, comprava revistas, estudava bastante. Só concluí o Ensino Superior em Pedagogia depois que meus filhos estavam formados. Passei em 5º lugar no vestibular e vivi por cinco anos uma rotina de trabalhar o dia inteiro, ir à noite para a universidade, chegar em casa às 22h e acordar às 4h para estudar. Fui muito feliz no Diocesano, sempre fui bem acolhida.

Jovina foi homenageada no Colégio Diocesano

Diocesano - A senhora passou quanto tempo como professora em sala de aula?

Jovina - Trabalhei como professora por 18 anos em diversas séries. Quando o colégio foi aberto para as meninas, em 1973, o padre Ângelo disse que não tinha jeito para lidar com elas. Então, ele falou ao padre Luciano Ciman, SJ, que me convidasse para ficar pela manhã, porque as meninas começaram no Ensino Fundamental maior que funcionava nesse turno. Assim, eu fui e continuei dando aulas também no primário à tarde. Depois me deram outras atribuições, fui coordenadora pedagógica, secretária geral do colégio e a última função no prédio da praça Saraiva foi como coordenadora comunitária, inclusive fui eu que implantei esse setor.

Diocesano – Então, depois disso, a senhora foi para o Diocesano Infantil?

Jovina - Isso. Antes de começarem as obras de construção do prédio, por volta do ano 2000, Dom Alécio me chamou e propôs que eu coordenasse a Educação Infantil. Eu respondi que era muita responsabilidade, mas era uma honra para mim e me senti muito prestigiada.

Diocesano - A senhora fez parte da equipe que elaborou toda a estrutura do Diocesano Infantil, junto com as professoras Margareth Santos e Santidade Lopes, não é isso?

Jovina - Sim, nós discutimos a proposta pedagógica do Diocesano Infantil. Pedagogicamente, elas tinham mais experiência, mas eu conhecia bem a Pedagogia Inaciana.

Diocesano - Durante esses anos no Diocesano, a senhora acompanhou vários momentos importantes no âmbito da educação no País. Como isso influenciou a sua vida e o seu trabalho?

Jovina - Sou uma pessoa muito aberta a mudanças e gosto muito de aprender. Então sempre procurei me atualizar, fazer cursos. Quando houve as mudanças na Lei de Diretrizes e Bases, foi muito forte a questão do estudo, o Brasil todo estava estudando e a Companhia de Jesus também sempre se preocupou em formar seus colaboradores em todos os aspectos.

A professora recebeu a Medalha do Mérito Inaciano, entregue pelo presidente da Rede Jesuíta de Educação (RJE), Ir. Raimundo Barros, SJ

Diocesano - O que a senhora ressaltaria dentro da Pedagogia Inaciana que a diferencia das demais?

Jovina - Em primeiro lugar, é uma proposta humanista. Ela pensa o homem como um todo e é trabalhada em cima de valores. Ela propõe conhecer o aluno, o contexto em que ele está inserido, proporcionar experiências. E também se preocupa em atender à faixa etária dos alunos. Ela não zela apenas o intelectual, mas busca desenvolver todas as habilidades para a vida.

Diocesano - O que a senhora leva como marca para sua vida depois desse período no Diocesano?

Jovina - Uma das coisas que me marcam muito é o espírito de equipe. O fato de todos trabalharem unidos é uma marca da Companhia. Além disso, vejo a sensibilidade, o pensar no outro, a solidariedade. Além de encarar as diferenças com naturalidade e igualdade.

Diocesano - A senhora já tem programado o que vai fazer agora?

Jovina - Ainda não defini. Mas, de início, vou relaxar um pouco, cuidar mais da saúde. Dar mais assistência à minha família, conviver mais. Vou viajar para a Europa em maio. Quero aprender línguas e também um instrumento musical, de preferência teclado ou piano. E encontrar alguma coisa sistemática em que possa me sentir útil, mas que me dê liberdade.

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