Feira do Livro traz contadoras de histórias

06/04/2016 07:25:18 - Atualizada em 07/04/2016 07:19:30 - Por Camila Oliveira

As escritoras Anna Miranda e Márcia Evelin participam da 13ª Feira do Livro do Colégio Diocesano realizando contação de histórias. Anna e Márcia são integrantes do grupo Cafundó, que há 20 anos apresenta as histórias dos livros e da oralidade popular para crianças. Para contá-las, elas utilizam músicas autorais, figurino, instrumentos, fantoches e variados recursos que aguçam a imaginação.

Em entrevista ao site do Colégio Diocesano, elas falam sobre seus contos infantis já publicados – O Boi do Piauí, de Márcia Evelin e A Tartaruga de Sete Cidades, de Anna Miranda.

Diocesano - Qual a importância de fazer esse resgate da oralidade?

Anna - Isso é importante para fazer com que as pessoas se interessem, especialmente as crianças, pela escuta. Ouvindo a história a criança se sente estimulada a ler, a ir atrás da história no livro. É uma coisa ligada a outra. A escuta estimula a leitura e a imaginação.

Márcia - É um processo em mão dupla, porque vai da oralidade para o livro e vice-versa. Essa história do Boi do Piauí nasceu na tradição oral, mas nós também contamos histórias que já estão nos livros e que oralizamos. Então é como se déssemos vida às histórias.

Diocesano - Como essas histórias chegaram até vocês?

Márcia - A minha história [O Boi do Piauí] o povo já dança, já que a tradição cultural do Bumba Meu Boi é dançada. Eu via essa dança e gostava muito dela e dizia que a primeira história que eu ia escrever seria essa. E foi o que aconteceu, eu escrevi essa história há 16 anos, só que virou livro mesmo no ano passado. Então, tem toda aquela coisa da minha infância e essas músicas [cantadas durante a contação das histórias] fizeram parte do meu crescimento.

Anna - É uma coincidência impressionante porque eu escrevi a minha história [A Tartaruga de Sete Cidades] na mesma época, no início do nosso grupo. Eu criei essa história sobre a Pedra da Tartaruga, em Sete Cidades, porque eu achei muito parecida com uma tartaruga mesmo e fiquei impressionada quando estive lá. E aquilo ficou na minha mente e eu escrevi. Então eu comecei a imaginar como que essa pedra poderia ter vida e o que ela poderia fazer. E no meu conto ela acabou sendo guia turística de Sete Cidades, que é um município muito importante para o nosso Estado e que é pouco falado.

Diocesano - Por que esses dois contos têm essa marca de regionalidade, ambos ambientados no Piauí?

Anna - Esses nossos primeiros livros têm essa regionalidade, mas foi também uma coincidência. Mas é muito bom para despertar o interesse pela nossa literatura, por nossas regiões.

Márcia - Algumas pessoas nos perguntam se vamos seguir essa linha de escrever histórias falando do Piauí. Não, não temos esse propósito, não trabalhamos com esse didatismo. O que queremos é que essas histórias alimentem o imaginário das crianças, que sejam ricas de cenas ao narrar. Queremos que as crianças possam se deleitar e atiçar a imaginação delas e despertar a vontade de ser escritor. Como a Anna disse, foi uma coincidência, mas claro que no íntimo temos uma ligação muito forte com a nossa terra. Escrevemos aquilo que o coração da gente pede. Em primeiro lugar, colocamos não o ensinar, porque acreditamos que todas as histórias ensinam, para cada criança de maneiras diferentes. O que é mais forte no nosso grupo é trabalhar a imaginação e o gosto pela leitura.

Diocesano - Vocês têm outras profissões, mas pretendem seguir a carreira de escritoras profissionalmente, de maneira mais intensa?

Márcia - Eu sou professora da Universidade Estadual do Piauí, já trabalhei no Diocesano por 10 anos e fiz um trabalho muito bom aqui. Mas eu pretendo levar a escrita em paralelo com a minha profissão de formação.

Anna - Eu sou jornalista, formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e também sou cronista e cantora. Mas me apaixonei pela arte de contar histórias, sempre considerei essa arte solidária e tem uma aproximação maior com o nosso público, as crianças, e a resposta é imediata. E isso é uma coisa que não encontrei como cantora, embora ame cantar. Mas é a mesma coisa, queremos levar em paralelo.

Confira fotos da contação de histórias 

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