​A saga de padre Florêncio Lecchi

24/08/2016 08:14:09 - Atualizada em 25/08/2016 07:51:57 - Por Samira Ramos

O padre Florêncio Lecchi, SJ, que dedicou 50 anos ao Colégio Diocesano e à educação no Piauí, será homenageado. A sua vida será contada em um livro produzido por ex-alunos. O lançamento da biografia "Pe. Florêncio Lecchi: a saga de um jesuíta" integra o calendário de comemorações dos 110 anos do Diocesano e será realizado dia 29 de agosto, às 19h, na sede da instituição.

Em 392 páginas, Gustavo Fortes Said, doutor em Ciência da Comunicação, e Fernando Macêdo Leal, doutor em Oftalmologia, contam a trajetória do jesuíta, desde a infância e juventude na Itália, onde ingressou na Companhia de Jesus, até os últimos momentos em Teresina. Durante meio século, o padre colaborou no Diocesano como professor de Química, Educação Cívica e foi mentor espiritual de várias gerações de alunos que ainda têm na memória a “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias, seu ensinamento mais famoso. Ele criou o Laboratório de Química do Diocesano, um dos primeiros na cidade. Dono de um temperamento rígido, marcou a vida de muitos jovens com suas lições sobre respeito, ética e o incondicional amor pela Igreja.

Os dois escritores contam que visitaram Florêncio em junho de 2014 para conversar sobre a produção da biografia. Na ocasião, o jesuíta entregou-lhes uma pequena autobiografia, que escrevera em decorrência de seus 80 anos, que serviu como ponto de partida para a pesquisa e coleta de material que daria origem ao livro. Segundo Fernando, no dia seguinte a visita dos ex-alunos, Florêncio começou a apresentar os primeiros sintomas da dengue, doença que causaria sua morte, aos 86 anos, no dia 30 de agosto. Devido ao seu estado de saúde, os autores entrevistaram Florêncio apenas uma única vez e lembram que, bastante emocionado, o padre relatou momentos marcantes na sua vida, como os anos da 2ª Guerra Mundial.

Gustavo e Fernando escrevem biografia de pe. Florêncio

Após o falecimento de Florêncio, Gustavo e Fernando perceberam que a única maneira de escrever a sua história era visitando os locais por onde passou. Os autores viajaram para a Itália: conheceram o lugar onde nasceu, na cidade de Bergamo, além de outras localidades por onde passou. Nestes locais, coletaram entrevistas e documentos importantes para a reconstrução da sua história. Entrevistaram também integrantes da família e jesuítas contemporâneos.

De volta ao Brasil, os ex-alunos foram até a cidade de Fortaleza (CE) ao encontro de amigos da Companhia de Jesus, que contassem detalhes dos anos vividos no Colégio Diocesano. Conversaram com jesuítas como, padre Ângelo Imperiali, SJ, e padre Darly Almeida, SJ, ex-diretores do Diocesano. O livro tem ainda depoimentos de ex-alunos e amigos de Florêncio, como o humorista João Cláudio Moreno e o técnico do Laboratório de Química do Diocesano, Cícero de Andrade, que por 30 anos o acompanhou no seu fazer diário.

Fernando teve Florêncio como orientador espiritual e afirma que o ajudou a consolidar sua formação, o ensinou a ter disciplina e apreciar as palavras. “Ele nos habituou a pensar, questionar e agradecer, e isso amplia horizontes”. Ao mesmo tempo que fortalecia nosso alicerce, deu-nos liberdade”. Gustavo Said afirma que incorporou ensinamentos do padre, como ética e responsabilidade, à sua maneira de ser e viver. “O livro é uma forma de dizer obrigada a quem foi tão importante na nossa vida”, afirma.

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